Por: Nelson de Paula.
"CASTELO DE PENELA" - 05/07/2026
Ainda sobre a Porta da Traição, reza a lenda local que, ao tempo da Reconquista, D. Afonso Henriques conseguiu tomar o castelo de emboscada, penetrando por esta porta, aberta pelos defensores para dar de beber ao gado. Esta saída permite contornar o castelo pelo estreito caminho de ronda entre as muralhas e o despenhadeiro de 90 metros, num percurso de onde se desfruta da ampla paisagem envolvente.
Por fim, a chamada "Brecha das Desaparecidas" constitui hoje a entrada mais franca na fortificação. Aqui se abria a terceira porta, virada a sul, guardada pela torre quinária, e que ligava o arrabalde mais diretamente à igreja.
O conjunto conta ainda com uma cisterna de planta quadrangular, escavada na rocha, para a recolha e armazenamento das águas pluviais. Erguida no interior do castelo, a igreja de São Miguel é a matriz de Penela. A mais antiga referência a este templo é o foral de 1137, que refere a existência de uma igreja no interior do castelo.
Este primitivo templo em estilo românico foi reedificado em 1420, por iniciativa de D. Pedro, duque de Coimbra, devoto do Arcanjo São Miguel. A atual edificação é a resultante de uma nova reforma que data da segunda metade do século XVI. De traça simples, ao gosto da renascença coimbrã, é dividida internamente em três naves, separadas por duas arcadas sobre colunas de base octogonal e capitéis em estilo renascentista.
A capela-mor conta com talha em estilo barroco, dos séculos XVII e XVIII. Lateralmente ao arco cruzeiro existem dois altares também em talha dourada, da época de D. Pedro II.
No da esquerda destaca-se a imagem da Senhora com o Menino, em pedra de Ançã, de autoria do mestre João de Ruão, executada por volta de 1530. E por fim, nas laterais do templo existem duas capelas abobadadas com arcos também renascentistas.