Por: Nelson de Paula.
"CASTELO DE ALJUSTREL" - 18/01/2026
O Castelo de Aljustrel é uma estrutura histórica na vila e no Município de Aljustrel, no Distrito de Beja, em Portugal. Do castelo restam apenas algumas ruínas e a Igreja de Nossa Senhora do Castelo, que é considerada como um dos principais marcos da vila. As ruínas do castelo e a Igreja formam um só conjunto, classificado como Imóvel de Interesse Público.
Dominante sobre uma extensa faixa de território do Baixo Alentejo, o morro onde se situa o Castelo de Aljustrel foi ocupado desde o Neolítico e identificaram-se níveis estratigráficos do Calcolítico, que revelaram fragmentos de sílex e cerâmicas com bordas denteadas. A esta primeira seguiu-se um interrogante hiato, não tendo as escavações resgatado quaisquer materiais proto-históricos e romanos.
A primitiva configuração do castelo ocorreu durante o período islâmico, de que se revelaram alguns troços de muralha em taipa. Desconhece-se a data em que se definiu essa estrutura militar, mas é de supor que tenha ocorrido em momentos mais tardios da ocupação islâmica, em concreto no século XIII, no contexto da perda da praça forte de Alcácer do Sal. A investigação arqueológica revelou ainda materiais que recuam até o século IX, o que atesta a efetiva importância do castelo para o complexo civilizacional muçulmano do Sudoeste peninsular.
A conquista de Aljustrel pelas tropas portuguesas, em 1234, marcou o início de uma nova era na história do castelo. Em 1235, D. Sancho II doou-o à Ordem de Santiago, ato sancionado pelo seu sucessor, D. Afonso III em 1255. Não só o castelo passava a integrar a linha defensiva imediata, face às possessões islâmicas no Algarve, como passava para a posse da coroa o importante estatuto de administração das minas de Aljustrel.
A presença na vila de D. Paio Peres Correia, Mestre de Santiago, não é de estranhar, tendo em consideração a necessidade de pontos de apoio para a Ordem na preparação dos ataques aos castelos mais a Sul nesses meados do século XIII.
Desconhecem-se, todavia, quais as alterações introduzidas pela nova ordem cristã. Pouco depois, com a conquista definitiva do Algarve, Aljustrel perdeu grande parte da sua relevância estratégica e a fortaleza entrou em declínio, razão pela qual dela hoje pouco mais resta que alguns troços e da igreja.
Este templo é o resultado de sucessivas fases construtivas. Em 1482 aparece mencionada como Ermida de Santa Maria do Castelo e, em 1510, era uma simples casa de taipa com contrafortes de pedra, sem capela-mor e demais pormenores construtivos e decorativos assinaláveis.
Na viragem para o século XVII deu-se corpo à construção atual, composta por nave e capela-mor e dependências de apoio de ambos os lados, algumas destinadas a apoiar as romarias.