Por: Nelson de Paula.
"CASTELO DE MOREIRA DE REI" - 04/10/2026
Acredita-se que a primitiva ocupação humana deste sítio remonte a um castro pré-histórico, posteriormente romanizado. À época da Reconquista cristã da Península Ibérica, a região foi incorporada, na primeira metade do século X, pela expansão asturiana-leonesa. É deste momento a primeira referência a um castelo no local da futura Moreira do Rei, de propriedade de D. Chamôa Rodrigues (ou D. Flâmula Rodrigues), por ela doado em testamento, juntamente com o Castelo de Trancoso, Castelo de Terrenho e o Castelo de Cótimos (hoje não passível de identificação), ao Mosteiro de Guimarães (960).
Nada se sabe acerca da feição desta primitiva edificação, que se acredita tenha sido arrasada pelas forças de Almançor no final desse mesmo século. A depreender pelos remanescentes do Castelo de Trancoso (uma vez que também nada sabemos acerca dos de Terrenho e Cótimos) e de outros, coevos, acredita-se que se constituísse por uma estrutura defensiva rudimentar, de pequenas dimensões, incapaz de efetiva resistência.
Devido a sua localização estratégica, a povoação de Moreira de Rei tornou-se um pólo regional importante na passagem da Alta para a Baixa Idade Média. Nessa qualidade, quando, na década de 1050, Fernando Magno procedeu à conquista da região, esta foi uma das povoações que tomou (1055).
Quando da Independência de Portugal, e já sob o reinado de D. Afonso Henriques , a povoação recebeu do soberano Carta de Foral (sem data), quando teve lugar a reconstrução da sua estrutura defensiva. Evidências indicam que no interior de seu recinto, neste período, existiu uma fundição. Os domínios da vila e seu castelo pertenceram a Fernão Mendes de Bragança, cunhado do soberano, tendo revertido para a Coroa após a sua morte.
D. Afonso II confirmou o foral à vila (1217), que, posteriormente, acolheu D. Sancho II antes da sua partida para o exílio em Toledo (1247). A vila e seu castelo perderam importância a partir de meados do século XIII, considerando os estudiosos que, a ausência de reformas em suas defesas sob D. Afonso III e D. Dinis é um indicativo dessa perda a nível regional. Uma tentativa de recuperação ocorreu durante o reinado de D. Manuel I, com a concessão de Foral Novo (1512) e a ereção do pelourinho.
Nesta fase, o senhorio da vila e seu castelo pertenceu à família Fonseca Coutinho e, posteriormente, à da dos marqueses de Castelo Rodrigo. O castelo alcançou o século XIX abandonado e em ruínas, processo agravado com o reaproveitamento das suas pedras pela população local. Em visita, em meados do século, Alexandre Herculano registrou o seu avançado estado de deterioração (em seus Apontamentos de Viagem, de 1853).