Por: Nelson de Paula.
"CASTELO DE CASTELO MENDO" - 13/09/2026
Desconhecemos a marcha das obras e a configuração do projeto militar então delineado. Na verdade, o que chegou até hoje da fortaleza medieval de Castelo Mendo data já do reinado de Dom Dinis, fato que levou muitos autores a considerarem ter sido este monarca o verdadeiro fundador da vila.
A 16 de dezembro de 1281, o rei lavrador confirmou o foral de Dom Sancho II. Dois dias depois, instituiu uma feira. Estes dados articulam-se com a campanha construtiva militar aqui efetuada pelos finais desse século XIII, empreitada que dotou a vila da configuração genérica que ainda hoje apresenta.
Acredita-se que a primitiva edificação do castelo remonte à passagem do século XII para o XIII, sob o reinado de Dom Sancho I de Portugal. A povoação recebeu Carta de Foral, passada por Dom Sancho II de Portugal em Vila do Touro, a 15 de março de 1229. Este documento é particularmente interessante por estipular a primeira feira oficial no reino, a ser realizada por oito dias, três vezes por ano: na Páscoa, no São João e no São Miguel.
Nele se encontram referidos o castelo e seu alcaide à época, Mendo Mendes. Data deste período a construção da primeira cintura muralhada para defesa da povoação. Integrante do território de Ribacôa, disputado ao reino de Leão por Dom Dinis de Portugal, a sua posse definitiva para Portugal foi assegurada pelo Tratado de Alcanizes (1297).
O soberano, a partir de então, procurou consolidar as fronteiras, fazendo reedificar o Castelo de Alfaiates, o Castelo de Almeida, o Castelo Bom, o Castelo Melhor, o Castelo Mendo, o Castelo Rodrigo, o Castelo de Pinhel, o Castelo do Sabugal e o Castelo de Vilar Maior.
Datam desse período a construção da segunda cintura muralhada, assim como da Torre de Menagem, com os recursos que são assegurados pela confirmação, por este soberano, do foral da vila, a 16 de dezembro de 1281, que dois dias após, ali instituiu uma Feira Franca, a ser realizada na Devessa. Com a paz, dependente de seus parcos recursos económicos e populacionais, a povoação entrou em decadência. No início do reinado de Dom João I, a vila foi transformada num couto de homiziados.