Logo Lusanet
  Confira mais um capítulo da História de Portugal

Por: Nelson de Paula.

"CASTELO DA COLA" - 15/12/2024

O Castro da Cola era protegido por um recinto de muralhas com um perímetro de cerca de 330 m, formando um polígono irregular, e que contava com várias torres de planta quadrangular. As muralhas foram construídas em xisto de origem local, com uma argamassa em terra, e em algumas partes foi utilizado um aparelho espinhado, portanto uma adaptação muito tardia do opus spicatum.

A entrada principal situava-se na face nascente da muralha, e estava protegida por uma torre, da qual sobreviveu apenas o embasamento. Tinha uma configuração em cotovelo, algo em comum nas fortificações da região, principalmente a partir do século XI.

Foram encontrados igualmente vestígios de ocupação islâmica fora das muralhas, nas vertentes do rio Mira e na ribeira do Marchicão. Foi avançada a teoria de que a plataforma onde está a igreja poderá ter sido uma necrópole islâmica. O monumento conta igualmente com um centro de interpretação.

Muito perto do sítio arqueológico encontra-se o Santuário de Nossa Senhora da Senhora da Cola, cujo conjunto inclui a Casa dos Romeiros. E em 1897 José Leite de Vasconcelos referiu a existência de uma fonte com a mesma invocação, e de vestígios de um edifício a poente do Santuário, que era popularmente identificado como a capela antiga.

O santuário é considerado um dos principais centros de peregrinação no Baixo Alentejo, sendo o culto da Senhora da Cola ainda bastante disseminado entre os habitantes da região. É palco de uma romaria anual, realizada em setembro, tendo sido considerada pela Santa Casa da Misericórdia de Ourique, organizadora do evento, como “a tradição mais genuína do concelho”.

No sítio arqueológico foi descoberto muitos vestígios, correspondente a um diversificado leque de cronologias desde o Neolítico até à Idade Média, comprovando a sua longa ocupação humana. Entre os materiais encontram-se duas mós de forma côncava, e uma pedra de forma arredondada, que seria um percutor, e que tinha um sulco no seu diâmetro, provavelmente devido ao uso de uma tira de couro ou uma corda, que o prendiam a um cabo.

O conjunto da Idade do Ferro é muito expressivo, e incluiu uma curta espada de antenas, várias urnas em cerâmica, e contas de colar de vidro, de tipologias fenícia ou púnica, e de ouro. Quanto à época romana, foram encontrados dois fragmentos de fustes de colunas em calcário, pedras aparelhadas, tijolos grossos, ímbrices e um gargalo ornamentado, encontrados em 1897, além de pelo menos dois fragmentos de lucernas.

Finalmente, os materiais relativos à Idade Média são compostos majoritariamente por fragmentos de cerâmica, principalmente dos finais do domínio islâmico da região, várias lápides com inscrições funerárias muçulmanas, e um conjunto de peças ligadas à tecelagem, como agulhas de fusos de fiação e cossoiros de chumbo.