Logo Lusanet
  Confira mais um capítulo da História de Portugal

Por: Nelson de Paula.

"CASTELO DE ESTREMOZ" - 19/01/2025

Os trabalhos de edificação das muralhas tiveram continuidade sob o reinado de D. Dinis, monarca que fez erguer o Paço Real, junto ao castelo. Aqui, no Paço, faleceu a Rainha Santa Isabel (4 de Julho de 1336), sendo o seu corpo mais tarde trasladado para o Convento de Santa Clara-a-Velha de Coimbra. Ainda em vida, ela havia evitado, aqui em Estremoz, um iminente embate entre o seu filho D. Afonso IV e o rei Afonso XI de Castela.

A Torre de Menagem estava concluída sob o reinado de D. Fernando de Portugal, por volta de 1370. À época da crise de 1383-1385, o alcaide-mor João Mendes de Vasconcelos, tomou partido por Castela. Foi intimado pela população a abandonar o castelo, que o entregou ao escudeiro Martim Pires em nome do Mestre de Avis.

Em 1384, o Condestável D. Nuno Álvares Pereira aqui instalou o seu quartel-general, de onde as forças portuguesas sob seu comando partiriam para dar combate, e vencer, o exército castelhano na batalha dos Atoleiros. Quando da crise de sucessão de 1580, o Castelo de Estremoz e o seu alcaide-mor permaneceram fiéis a D. António, prior do Crato.

Entretanto, as tropas castelhanas sob o comando do duque de Alba invadiram Portugal, vindo a colocar cerco a Estremoz, a única praça alentejana a resistir. Diante da desproporção de forças e das pesadas consequências que poderiam advir para a povoação e sua população, o alcaide-mor de Estremoz, almirante D. João de Azevedo, rendeu-se, sendo mantido preso no Castelo de Vila Viçosa.

Com o advento da Restauração da independência (1640), durante as lutas que se seguiram, Estremoz serviu uma vez mais como quartel-general para as tropas portuguesas. Os seus destacamentos foram decisivos para a vitória portuguesa na batalha das Linhas de Elvas (1659), o mesmo se repetindo quando da batalha do Ameixial (1663) e da batalha de Montes Claros (1665), que colocou fim à Guerra da Restauração.

Para tanto, uma comissão composta pelos engenheiros militares João Pascácio Cosmander, Rui Correia Lucas e Jean Gillot foi encarregada pelo Conselho de Guerra de D. João IV de inspecionar as praças de guerra alentejanas, nelas promovendo as obras necessárias (1642).

As defesas de Estremoz e seu castelo foram modernizadas, sob projeto e orientação de Cosmander. Após o seu falecimento 1648, Nicolau de Langres, com o auxílio de Pierre de Saint-Colombe, foi encarregado das obras (1662), que compreenderam a construção de quatro baluartes, dois meios-baluartes e um revelim, reforçados posteriormente por outras linhas abaluartadas, nomeadamente a da denominada Praça Baixa.

Ainda na época da Restauração e em agradecimento pelas vitórias portuguesas sobre as forças espanholas no Alentejo, a Rainha Regente D.Luísa de Gusmão, mãe de D.Afonso VI, fez transformar em Capela os aposentos em que havia falecido a Rainha Santa Isabel.