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  Confira mais um capítulo da História de Portugal

Por: Nelson de Paula.

"CASTELO DE ESTREMOZ" - 26/01/2025

No século XVIII, prosseguiram os trabalhos de fortificação, marcados, a partir de 1736 pela reconstrução do antigo Paço Real, requalificado para abrigar os Armazéns de Guerra, com projeto de António Carlos Andreis. Entre 1738 e 1742, no novo e imponente edifício em estilo barroco, D. João V (1706-1750) fundou a Sala de Armas, um dos mais famosos museus de armaria no continente europeu, à época e melhorou bastante a Capela da Rainha Santa Isabel.

No século XIX, auxiliou forças portuguesas sitiadas durante a chamada Guerra das Laranjas (1801), vindo a ser brevemente ocupada por tropas francesas sob o comando do general Kellerman, que a abandonaram em 12 de Julho de 1808, durante a Guerra Peninsular. Poucas décadas mais tarde, durante as Guerras Liberais, forças miguelistas assassinaram 39 liberais que se encontravam detidos nos calabouços de Estremoz.

A paz e a evolução urbana cobraram o seu tributo às defesas de Elvas, tanto às da Idade Média quanto às da Restauração. Como exemplo, para a implantação da estação ferroviária no centro da vila foi demolido um grande troço da muralha norte. Em 17 de Agosto de 1898, uma violenta explosão em um dos paióis de pólvora, causou severos danos à estrutura dos Armazéns de Guerra (antigo Paço Real) e do castelo medieval.

A ação do poder público só se faria sentir, entretanto, quando uma intervenção de consolidação e conservação foi iniciada pela DGEMN em 1939. O mesmo organismo promoveria trabalhos de reparo nos telhados em 1961. Uma grande intervenção, entretanto, teria lugar entre 1967 e 1988, visando requalificar o espaço dos Armazéns de Guerra (antigo Paço Real), às funções de pousada.

Atualmente, o monumento atende à função turística (a Pousada da Rainha Santa Isabel), cultural (Galeria de Desenho da Câmara Municipal de Estremoz, na antiga Sala de Audiências de D. Dinis) e religiosa (Capela de Santa Isabel). O conjunto da Praça-forte de Estremoz apresenta planta pentagonal orgânica (adaptada à conformação do terreno).

O castelo medieval ergue-se no topo de uma colina de pedra calcária, identificando-se elementos dos estilos gótico, moderno e neoclássico. É envolvido por uma cerca baixa ameada, percorrida por um adarve largo, reforçada com 4 cubelos semicilíndricos. Pelo lado sul, ergue-se a Torre de Menagem, também conhecida como Torre dos 3 Reis ou Torre das 3 Coroas.

Com 27 metros de altura, coroada por merlões prismáticos, é rasgada por três balcões ameados, com matacães, assentes em mísulas. No interior da torre, dividida em três pavimentos, destaca-se a vasta sala do segundo piso, de planta octogonal e coberta por abóbada polinervada.

Na cerca da cidade, destacam-se a Porta de Santarém e a Porta da Frandina. No interior dos muros, observa-se a imponente galeria ogival da Casa da Audiência, de dupla arcaria apoiada em colunelos de mármore com capitéis historiados, contendo o antigo brasão da cidade. Da época de D. Manuel I subsistem o antigo Celeiro Comum, coberto por abóbada ogival de nervuras, e a Torre do Relógio.