Por: Nelson de Paula.
"CASTELO DE CACELA" - 09/02/2025
Na passagem para o século XIII, a fortificação muçulmana de Cacela conheceu um primeiro momento de abandono, embora ainda mantendo relativa importância militar, tendo sido uma das últimas posições conquistadas pelas forças cristãs de Portugal no Algarve.
Na Cúria Régia, reunida em Santarém, com o consentimento de sua esposa, D. Beatriz, o rei D. Afonso III doou este castelo, juntamente com o Castelo de Ayamonte, ao Mestre da Ordem de Santiago, D. Paio Peres Correia (20 de fevereiro de 1255). A Ordem procedeu-lhe, a partir de então, obras de reconstrução e ampliação.
Apresentando ruína, no século XVI, o castelo foi reconstruído por ordens de D. João III ou de D. Sebastião. É sabido que este último inspecionou pessoalmente as obras em 1573. Neste período certamente terá recebido linhas abaluartadas, ao estilo da época. Pouco mais tarde, entretanto, relatos de 1617 dão conta de as suas muralhas se encontravam arruinadas do lado da arriba; em 1750 a fortificação encontrava-se arruinada, tendo sofrido extensos danos causados pelo terremoto de 1755.
A atual estrutura defensiva, de pequenas dimensões, remonta ao final do século XVIII. Apresenta planta no formato de um polígono estrelado, tendo recebido dois baluartes se debruçando sobre o mar. Nesse período, a sede do Concelho foi extinta, o que demonstra a perda de importância da povoação.
Cacela-Velha foi classificada como Imóvel de Interesse Público por Decreto publicado em 6 de março de 1996. São reduzidos os vestígios documentais e arquitetônicos que permitam uma efetiva delimitação da primitiva cerca muçulmana, em taipa, mas calcula-se que correspondesse a uma área de cerca de 0,5 hectares.
Alguns troços da muralha do antigo castelo medieval podem ser apreciados nos setores norte e leste do centro histórico, com planta aproximadamente oval, de reduzidas dimensões. As principais estruturas do castelo, em estilo gótico, assim como a primitiva igreja, foram substituídas por edificações posteriores. Parte da muralha erguida pela Ordem de Santiago encontra-se atualmente submersa.