Por: Nelson de Paula.
"CASTELO DE TORRES VEDRAS" - 23/02/2025
Durante a Dinastia Filipina, forças sob o comando de D. António, prior do Crato, desembarcado em Peniche pela armada de Sir Francis Drake, marchando sobre Lisboa, chegaram a tomar o Castelo de Torres Vedras (1589), sendo, entretanto, desalojadas em seguida por Manuel Martins Soares e pelo Capitão António Pereira, quase sem resistência, obrigando D. António a retornar ao exílio.
No alvorecer do século XVII, de acordo com o Auto de Posse de D. João Soares de Alarcão e Melo, Alcaide-mor de Torres Vedras (1604), dá-se conta de que os muros do castelo apresentavam ruína em diversos troços e que a barbacã se encontrava desmantelada.
Em meados do século XVIII o terremoto de 1755 causou o desmoronamento das edificações internas do castelo, bem como do remate das suas muralhas. Em um período posterior a 1790, a Câmara Municipal deixou de arrendar a área junto às muralhas do castelo para sementeira, devido ao adiantado estado de ruína da mesma.
Talvez por essa razão de perigo iminente, a Vereação tenha ordenado, em 1792, que ninguém retirasse pedra alguma dos muros, casas ou cisternas do castelo. No contexto da Guerra Peninsular, o antigo castelo medieval viu a sua posição ser revalorizada quando da construção das chamadas Linhas de Torres.
À época, a sua estrutura foi reaproveitada para a instalação de artilharia e as suas dependências utilizadas como reduto n° 27 do 1º Distrito das Linhas de Torres (1810). Posteriormente, durante as Guerras Liberais, foram reconstruídos os troços de muralha a Leste e alguns torreões do lado Norte, sob a direção do Corregedor Lourenço Homem da Cunha de Eça (1830).
Utilizado como quartel das tropas sob o comando do Conde de Bonfim, foi bombardeado em dezembro de 1846 pelas tropas do Marechal Saldanha, o que acarretou a explosão do paiol de pólvora e a sua consequente rendição. Vinte anos mais tarde, em 1866, o troço da muralha do lado da rua dos Polomes foi reparado por soldados sapadores.
Afetado à Câmara Municipal de Torres Vedras por auto de 11 de julho de 1940, recebeu algumas obras de restauro (1947), vindo a ser classificado como Imóvel de Interesse Público por Decreto publicado em 18 de julho de 1957.
Ao final da década de 1950 iniciaram-se novos trabalhos de reparação em suas muralhas, que se estenderam até ao final do século XX, compreendendo trabalhos de consolidação, restauro, beneficiação e conservação. Em meados da década de 1980 procederam-se escavações arqueológicas, sob a supervisão do Instituto Português do Património Cultural.