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  Confira mais um capítulo da História de Portugal

Por: Nelson de Paula.

"CASTELO DE TORRES VEDRAS" - 02/03/2025

Novos trabalhos arqueológicos têm sido levados a cabo no castelo - os últimos dos quais em 2001, organizados pelo Museu Municipal de Torres Vedras. As escavações tiveram como objetivo procurar vestígios numa antiga lixeira medieval situada em frente ao torreão norte. Entre os vestígios encontrados contabilizaram-se diversos ossos de animais, que permitiram conhecer mais aprofundadamente os hábitos alimentares da nobreza medieval.

O castelo apresenta os estilos gótico e manuelino, constituído pelas seguintes estruturas:

- Cintura de muralhas apresentando planta ovalada, reforçada a Sudeste e a Sudoeste por cubelos de planta semicilíndrica e pela torre do portão, de planta quadrada, saliente da muralha, com adarve acedido por escada de pedra e encimada por largos merlões quadrangulares rasgados por seteiras. O portão, em arco quebrado é encimado pelo escudo de D. Manuel e por duas esferas armilares com a Cruz da Ordem de Cristo.

- Igreja de Santa Maria do Castelo, implantada isoladamente sobranceira dentro da cintura de muralhas, acedida por uma escadaria. Junto dela, abre-se uma cisterna, tendo existido outrora um cemitério medieval.

- Alcáçova, de planta quadrada irregular, dominada pela torre de menagem no ângulo Sudeste, de planta semicircular, dividida internamente em uma sala de dois corpos e dois planos com abóbada de nervuras. Esta torre possui duas canhoneiras e porta exterior, sendo rematada por merlões quadrangulares.

- Na cortina Sul e no canto da cortina Norte, rasgam-se portas de acesso ao pátio de armas, onde se dispunham o antigo paço e onde se encontram as ruínas do Palácio dos Alcaides, erguido sobre vestígios de edificações anteriores. Este erguia-se em dois pavimentos que davam para um pátio interior.

Dele apenas restam as paredes exteriores, a porta de entrada e, no rés-do-chão, pedaços de paredes e do piso em pedra e tijoleira, além das mísulas em pedra que sustentavam o travejamento do andar superior, deste restam as cantarias das janelas. Nesse pátio abrem-se as claraboias de uma cisterna. Existe ainda uma terceira, com abóbada de tijolos. A cerca da vila desapareceu quase por completo, ainda que, em 1830, tenha se procedido a reconstrução dos troços Oeste e Norte.